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MOZART -
O ser mais
humano da
música
por
Heriberto
Porto
especial
para o
Caderno 3
O
mundo
comemora
neste dia 27
de janeiro
os 250 anos
de W. A.
Mozart,
reconhecido
unanimemente
como o maior
compositor
da música
ocidental.
Pessoalmente,
não gosto de
´o maior´,
mas gosto de
citar J.S.
Bach e L. V.
Beethoven
compondo a
grande
trilogia da
música
européia.
Falar de
Mozart é
algo
extremamente
complexo,
ainda mais
em um espaço
limitado.
Poderíamos
escolher
louvar o
gênio, a
criança
prodígio, de
ouvido e
memória
excepcionais,
que aos seis
anos foi
levada pelo
pai a uma
turnê pelas
principais
cortes da
Europa,
impressionando
a todos os
poderosos de
Munique,
Paris,
Londres e
Bruxelas, de
Amsterdã,
Lion e
Genebra.
Apesar de
explorado
pelo pai,
Leopoldo
(também
compositor,
mas de
talento
menor),
Mozart
encontrou
nessas
viagens a
oportunidade
de conhecer
novas
linguagens e
o novo
instrumento
que tocava,
piano-forte
(depois se
abreviou
para piano)
de J. C.
Bach (filho
famoso do
´pai Bach´),
em Londres.
Mozart,
menino que
compôs a
primeira
ópera aos 11
anos, as
lindas
´Bastien und
Bastienne´
(baseadas na
ópera ´Le
devin du
village´, do
enciclopedista-músico
J.
J.Rousseau)
e ´La finta
simplice´,
aos doze, é
mesmo
impressionante.
Poderíamos,
ainda,
celebrar o
magistral
homem de
teatro,
inovador da
ópera, junto
com o seu
principal
colaborador,
o libretista
L. Da Ponte.
Mozart
inovou,
revigorou o
gênero,
dando papéis
importantes
aos baixos e
aos
contraltos,
aos criados
e às damas
de honra,
criticando a
sociedade da
época e
escrevendo
ópera em
alemão, fato
pioneiro.
Também seria
interessante
falar do
virtuose do
piano,
enchendo as
salas de
curiosos
para ouvir
seus
concertos
para piano e
orquestra e
principalmente
suas
improvisações
pianísticas
(Sim! Mozart
foi um
grande
improvisador).
Prefiro,
porém,
abordar
algumas das
várias
contradições
que
acompanham
sua
história.
Mozart é
compositor
alemão? Ou
seria
austríaco?
Salzburg, a
cidade onde
o músico
nasceu, se
tornou parte
da Áustria
somente
muito tempo
após a morte
do
compositor.
No tempo de
vida do
músico,
Salzburg era
um
principado,
ligado ao
Império da
Alemanha. O
tema tem
gerado
muitas
discussões:
os ingleses
gostam de
chamá-lo
´grande
compositor
de música
européia´.
Os alemães
chamam-no
´grande
compositor
vienense´.
Mas o certo
é que o
conceito
atual de
nacionalidade
não é o
mesmo em
1770.
O
príncipe-arcebispo
Colloredo
era seu
odiado
patrão.
Foram muitas
brigas,
proibições
de viajar,
imposições
de formas
para a
música
religiosa,
demissões,
até Mozart
conseguir,
também de
modo
pioneiro,
sua
liberdade,
passando a
trabalhar
sob
encomendas
de ricos
amadores e a
produzir
seus
próprios
concertos e
óperas.
Muito
oportuno
seria
descobrir e
comparar os
tormentos e
as lutas de
nossos
atuais
compositores.
De todos os
compositores
da época,
Mozart
também foi o
maior ´bon
vivant´,
festeiro e
gastador.
Teve de
morrer
(literalmente)
de
trabalhar,
para pagar
montanhas de
dívidas. No
final
ingressou na
loja
Maçônica,
chegando
rapidamente
a mestre,
mais por
oportunismo
do que por
opção
filosófica.
Também nunca
assinou o
nome
Amadeus. Foi
batizado
Johannes-Chrysostomus-Wolfgang(us)-Theophilus.
O Theophilus
quer dizer
´amado dos
deuses´
(´Gotllieb´,
em alemão,)
de forma que
mais tarde,
em suas
estadias na
Itália,
passou a
assinar
Amadeo, e
ficou depois
assinando
Amadé
(afrancesado).
Assim, o
famoso filme
´Amadeus´,
de Milos
Forman, não
tem um
título
historicamente
adequado,
além de ser
cheio de
´fantasias´.
A música de
Mozart é um
universo,
uma fonte de
luz, de
beleza e de
graça.
Música de
equilíbrio,
de clareza
na forma, de
energia e
frescor.
Muitas
vezes,
paramos aqui
nestas
emoções
mozarcianas.
Esse lado
gracioso, às
vezes, é
criticado
pelos que
preferem o
denso Bach
ou o
atormentado
Beethoven.
Mas é
preciso,
mais que
nunca,
perceber a
profundidade,
o sentido
máximo do
humano, do
trágico, do
grandioso
desse
artista
definitivamente
universal.
Ouçamos os
inacabados
Réquiem e a
Grande Missa
em Dó Menor.
Ou ´Don
Giovanni´,
´A flauta
mágica´ e o
Concerto
para Piano
em Ré Menor,
para
descobrirmos
um
emocionante
e profundo
compositor.
Mozart será
sempre, para
mim, o ser
mais humano
da música,
muito
diferente do
´divino
Mozart´ ou
do ´anjo
Mozart´ de
muitos.
Apesar de
não ter
criado
nenhum novo
estilo,
levou à
perfeição
todas as
formas que
conheceu,
até o
contraponto.
Interessante
é notar que
o músico
Mozart é
muito
distinto do
homem
Mozart.
Bastante
hedonista,
deixou nas
suas muitas
cartas a
impressão
que nada
deveria
atrapalhar
sua
felicidade.
Fora da
música, não
se
interessou
por
literatura
ou
filosofia,
nunca
mencionou
Goethe,
Schiller ou
qualquer
outro
pensador de
seu tempo.
Porém,
gostava de
futilidades,
como jogos,
bailes,
jantares. Ao
mesmo tempo,
preocupava-se
demais com
os atrasos
do correio,
dos
copistas,
com a
incompetência
dos músicos
e dos
empregados.
Buscando
claramente o
sucesso e os
aplausos, o
menino
Mozart não
cresceu. Mas
suas
angústias,
sim. O
compositor
temia as
doenças e a
morte. Ao
escrever o
Réquiem, é
evidente que
pensou muito
em sua
morte, que
pressentia
eminente.
Resta
ressaltar o
prazer que
será
apresentar
neste 27 de
janeiro os
´Quartetos
para flauta
e trio de
cordas´ e a
famosa
Sinfonia no.
40, em
redução para
quinteto de
sopros, em
concerto
aberto ao
público, no
Centro
Cultural
Banco do
Nordeste, de
Fortaleza
(obrigado,
Fernando
Henrique I,
por não
privatizar
tudo no
Brasil). Nos
quartetos,
descobrimos
Mozart em
1777, feliz,
apaixonado
pela cantora
Aloysia
Weber
(casou-se
finalmente
com a irmã
desta, em
1882), em
viagem com
sua mãe, por
Munique e
depois
Paris, longe
do julgo do
pai e do
chato
príncipe de
Salzburg.
Música leve
e
concertante,
galante e
sem
tormentos.
Já na
Sinfonia em
Sol Menor,
ouvimos o
Mozart
maduro,
mestre da
forma sonata
e das mais
lindas
modulações.
Heriberto
Porto
é professor
do Curso de
Música da
Uece e
flautista
dos grupos
Marimbanda e
Syntagma.
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IMAGENS PARA A ETERNIDADE
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Franz
Liszt ao
Piano

Este retrato
nos mostra
um dos
inúmeros
recitais do
maior
pianista de
todos os
tempos,
Franz Liszt
(1811-1886),
sempre
aclamadíssimo
por toda a
Europa e sem
rival à sua
altura...
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