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Luiz
Carlos Salatiel
Décimo
filho de uma família de doze irmãos, nasce em
Araripe-CE, às dez horas de uma manhã com cheiro de
terra molhada, no dia consagrado a São Jorge Guerreiro,
em 1953.
ANOS 60
Experimenta
do teatro, no Grupo Desafio, em Juazeiro do Meu Padim
Ciço, ao encenar Bertold-Brecht, Luiz Carlos Martins
Pena, Ariano Suassuna, o humorista Millôr Fernandes, etc.; e da
música, como “crooner” da Beat-band The Hunthers, que
“amava os Beatles e Rolling Stones” nas tertúlias das
noites caririenses.
ANOS 70
Muda-se
para o Crato de Dona Bárbara de Alencar, quando idealiza
e estimula a realização dos famosos Festivais
Regionais da Canção, que lançaram jovens talentos
para a música. Neles, também, revela-se compositor e
grande intérprete com performances que lhe renderam
vários prêmios.
ANOS 74/80
Pega a estrada - São Paulo, Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro - para
cursar Arquitetura e trabalhar no Banco do Brasil S. A.,
sem nunca se desligar dos movimentos artístico-culturais
do Cariri. Com Rosemberg Cariry faz o primeiro registro
cinematográfico em super-8 sobre a vida e a poesia de
Patativa do Assaré.
ANOS 80
Retorna
ao Cariri e provoca a realização dos Salões de Outubro
(artes plásticas, poesia, teatro e música).
Participa
ativamente da criação do Jornal Nação Cariri e reanima o
literário Jornal Folha de Pequi.
Visionário, dirige e produz
o primeiro registro fonográfico do menestrel do seu
tempo, o vinil AVALLON, de Abidoral Jamacaru. Este
trabalho recebeu o selo alternativo da Entidade
Associativa que fundou, no Crato, para agregar
artistas e facilitar a difusão do produto arte/cultura
da região, a OCA Officinas de Cultura e Artes &
Produtos Derivados.
Cria e apresenta o programa radiofônico vanguardista “Terrae Brasilis” e o
“Hora Bancária”, o primeiro programa de rádio de
conteúdo sindical veiculado no Brasil.
ANOS 90
Argumenta
o projeto
de lei para a criação da Fundação J. de Figueiredo
Filho, na cidade de Crato, aprovado na Câmara Municipal.
Elege-se
diretor cultural da Sociedade Lírica do Belmonte -
SOLIBEL, no Crato-CE, e permanece por dois anos à frente
desta escola de música do Pe. Ágio Moreira.
Participa
(como ator) do longa-metragem “Corisco e Dada” , de
Rosemberg Cariri(1994);
Foi
assistente de direção do curta-metragem “O último dia
de Sol”, de Nirton Venâncio(1996);
Fez
o still (fotografia de cenas) do documentário
“Juazeiro, a nova Jerusalém” , de Rosemberg Cariri
(1998);
Identificado
com as lutas dos povos oprimidos da America Latina,
escreve e protagoniza o espetáculo musical “SOY LOCO
POR TI, AMÉRICA LATINA”, sucesso de público e crítica no
Interior e na Capital do Estado do Ceará.
Edifica
o NaveGarte - Espaço de Convivência Multicultural
(livraria, galeria de arte, bar/café e anfiteatro para
espetáculos de música e teatro, etc.).
ANOS 2000
(Algumas
atividades artístico-culturais desenvolvidas pelo
artista, produtor e produtor cultural Luiz Carlos
Salatiel, na região do Cariri nos últimos três anos):
-
Foi
membro do júri dos espetáculos convidados
(nacionais) da Mostra SESC Cariri de Teatro (2002,
2003);
-
Fez
o still (fotografia de cenas) do longa-metragem “Nas
escadarias do Palácio (Lua Cambará), de Rosemberg
Cariry (2000);
-
Foi
assistente de produção do curta-metragem “No passo
da Véia”, de Jane Malaquias (2001);
-
Vinculou-se
à equipe de produção do Curta Metragem “Os
penitentes”, de Petrus Cariry, realizado em
Barbalha-CE (2002);
-
Argumentou,
criou o texto e dirigiu o espetáculo “ A última
Tentação de Judas “, de caráter religiosos popular,
para os festejos da Semana Santa na cidade de
Barbalha- CE (2002, 2003);
-
Prestou
assessoria cultural
para a publicação do álbum de xilogravuras “ O
Rabicho da Geralda”, do artista Gilberto Pereira (
2003);
-
Integrou
a equipe de produção e foi ator convidado no
longa-metragem “ Cine Tapuia”, de Rosemberg Cariry
(ano 2003);
-
Foi indicado
(pelos artistas da região do Cariri)) para compor
a curadoria da II mostra Cariri de Artes(
plásticas), ano 2004;
-
Concebeu
e dirigiu o
espetáculo músico/poético/teatral “ O Belo e a
Fera”, de Geraldo Urano apresentado com grande
êxito na V Mostra SESC Cariri de Teatro ( ano
2003);
-
Criou
argumentos para a trama do texto de teatro “ A
Terrível Peleja de Zé e Matos com o Bicho Babau nas
Ruas do Crato “ , de José Flávio Vieira (ano 2003);
-
Definiu
soluções cênicas,
foi ator e fez direção de produção na montagem do
espetáculo “ A Terrível Peleja de Zé d Matos com o
Bicho Babau nas Ruas do Crato “ (Leitura Dramática)
, de José Flávio Vieira, encenada na VI Cariri de
Teatro (ano 2004);
-
Criou,
produziu e foi apresentador do programa “ Antena
Universitária” , para a Universidade Regional do
Cariri (ano 2004), veiculado em rede local de radio
AM;
-
Articulou
e viabilizou a publicação e o lançamento do
Livro/Texto :“ A Terrível Peleja de Zé de Matos com
o Bicho Babau nas Ruas do Crato “ , de José Flávio
Vieira, (ano 2004);
-
Integrou
o grupo de artistas e intelectuais do Cariri no
Seminário sobre Cultura e Desenvolvimento Regional,
momento germinal da implantação/instalação do
Centro Cultural Banco do Nordeste- Cariri (2004);
-
Foi artista
convidado
(ator/intérprete) e apresentador do I Festival
Internacional de Trovadores e Repentistas (versão
Quixeramobim), ano 2004;
-
Concebeu,
produziu e fez a direção artística/executiva do seu
primeiro registro fonográfico -CD Contemporâneo-
Luiz Carlos Salatiel ( anos 2002, 2003, 2004),
lançado em outubro de 2004;
-
Escreveu,
montou e é protagonista do show “CONTEMPORÂNEO” -
já realizados em Nova Olinda, Crato ( 03 vezes) e
Juazeiro do Norte , com agenda para outras regiões
do estado;
-
NOTA
ADICIONAL:
O Artista tem participado ativamente,
nas últimas 03 décadas de todos os processos que
envolvem o fazer arte e cultura no Cariri, o que
mereceu valioso registro no livro “ Contracultura,
Tradição e Oralidade “, São Paulo: Annablume, 2004,
dissertação de mestrado em Sociologia, do Prof.
Roberto Marques- URCA- que acompanha este projeto.
CRÍTICA:
“Luiz
Carlos Salatiel lança o cd “Contemporâneo”, avisando
que:
"a vida inteligente na
música cearense sobreviveu”
Em meio à letargia mambembe da música cearense, em pleno
sol de
outubro, Luiz Carlos Salatiel lança no Cariri o seu
primeiro registro sonoro: “Contemporâneo”, caloroso como
urge o tempo. Assim, Craterdam anuncia a sua
inquietação, cria referenciais e alimenta velhos
questionamentos sobre a música e a arte em tempos
atuais. Os altruístas do imediato afirmam que a arte é
para todos e que assim ela deve ser estimada em todas as
suas dimensões, desde as quinquilharias da canastrice
imbecilizante até os anseios criativos de libertação.
Não sei se é corroborando o socialismo de camelô, que
prega a igualdade tendo como padrão o medíocre, mas o
fato é que no passo dessa assertiva intelectualóide a
música cearense vem chafurdando na farofada amarela do
passadismo, em que genial é ser cover de mala e cuia
debaixo de uma tenda com musca escrivida in ingrês, ou
sair tocando sanfona em qualquer bodega de beira de
estrada, fazendo apologia de cabaré, montado num jegue
aprimorado com ar-condicionado. Esse não é o caso
de “Contemporâneo”, e é justamente por isso que Salatiel
incomodará, por ser esse cd indicado para curar remela
de ouvido.
“Contemporâneo” tem 12 músicas enxutas e bem arranjadas,
com duas exceções, e aqui cabe uma digressão sobre
Manel d’Jardim, que prefiro louco do que cafuçú
banhado pelo mar. O cd começa com Limite e termina
com Craterdam, já sem portas e janelas, livre e
criativo.O repertório escolhido por Salatiel privilegia
parcerias inspiradas com Geraldo Urano, o poeta do
estranhamento, e Pachelly Jamacaru, compositor universal
e sofisticado. Além deles comparecem Cleivan Paiva, José
Nilton, Abidoral Jamacaru e Tiago Araripe, estrelas
autênticas e raras. Esse apanhado praticamente conta a
história de uma época, em verdadeiras visões do paraíso,
em que flutuam bacalhaus, baleias, caravelas, jangadas,
homens pássaros, Rutes e revoluções, todos amalgamados
pelo bom gosto.A linguagem do cd é realmente
contemporânea e o elenco de músicos é de primeira
linha, com as presenças mais do que providenciais de
Miguel, Hugo Linard, Bonifácio e Naílton. A magia dos
arranjos faz com que o ouvinte viaje do regional
para o universal através de sotaques diversos, com
direito a citações pianísticas de Ibertson, cada vez
mais moderno, acordes radicais de Manel, e uma
interpretação inesquecível de Hugo e Leninha Linard,
além, é claro, da polifonia inebriante de Craterdam, com
seus pedais arquetipais e seus contra-pontos
desconcertantes.Em “Contemporâneo”, respira-se ar puro,
sem a fedentina rotineira das letras do oxente music. A
força das letras de “Contemporâneo” transcendem através
da interpretação versátil de Salatiel, dono de leituras
essencialmente autorais das composições alheias e suas.
Se no instrumental falta um certo leque maior de
timbres, isso não falta na voz, que passeia do
irônico em “Seu olhar no meu” ao suspense sentimental em
“Cine Cassino”, pequena obra prima de Tiago
Araripe, ex Papa Poluição, lendária banda brasileira dos
anos 70, além de explorar as nuanças misteriosas de uma
heroína, na impagável “Dona Rute, meu amor”, com Geraldo
Urano nos ajudando a viver melhor com a sua nobre
visão peculiar da realidade.
Esse é um
lançamento imperioso pelo seu porte e pela sua intenção.
O valor do artista se dá pelo valor que ele
atribui à arte. Se o juízo final da economia das trocas
simbólicas é agora, fique tranqüilo, pois
“Contemporâneo” chegou, vindo de Crato Cósmica, com as
graças de Kuan Yn e o poder dos querubins.
Marcos Leonel
NOTA:
O CD do grande artista Cearense Luiz
Carlos Salatiel já se encontra disponível para vendas
nas melhores lojas de CDs, e também já faz parte da
nossa programação diária da Radio Portal do Jazz.
Prestigiem esse grande artista de talento, escolhendo
suas músicas na nossa estação.
Dihelson Mendonça Contatos:
lcsalatiel@hotmail.com |