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     FHÁTIMA SANTOS                                                                                                                   

                                                                   

FHÁTIMA SANTOS


                                           "Por Ricardo Guilherme, dramaturgo cearense"



Se alguém, em plena luz do dia, quiser ver o negrume, ouvir os tons, provar o sabor, tocar a pele e até sentir a fragrância da noite, basta deixar que Fhátima Santos cante.

Quando ela canta, por incrível que pareça, o dia anoitece, pois sua garganta domina essa alquimia de apagar o sol e acender estrelas e luares. E, se, mesmo sem o consentimento da voz noturna dessa ariana mágica, a noite, por uma bruxaria da própria natureza, já tiver entrado na combustão das horas, estejamos certos de que só amanhecerá quando Fhátima Santos fizer silêncio.

Essa alagoana, agora irresgatavelmente cearense, exerce o poder de hipnotizar o tempo para que ele, insone, possa acordar a noite e impedir que o dia seguinte amanheça. Porém, se, depois da madrugada, a manhã insistir em desobedecer, a tarde subseqüente pode até sobrevir, mas, ao pressentir a nota musical da primeira sílaba do nome dessa cantora lunar, o astro-rei feito um sonâmbulo há de tatear o espaço a procura da linha do horizonte para, em seguida, mergulhar no esconderijo dos mares, porque, afinal, segundo o verso de uma canção, o sol não pode viver perto da lua.

Em suas apresentações Fhátima Santos se entrega em sacrifício prestando justa homenagem aos que lhe iluminam, na melodia romântica, na cadência do samba, no balanço do jazz ou no acalanto do blues. Não importa o gênero, o número de batidas do ritmo ou os graus de complexidade da harmonia.

Fhátima tem um só instrumento, um instrumento do naipe de cordas, mas suas cordas vocais são uma orquestra regida pela sensibilidade de uma moira tecelã que tece sinfonias e cobre e aquece, com o manto inaugural da noite, todos os repertórios, como se os inaugurasse, ao abrir a boca.

Sua voz uterina possui uma tessitura que independe da música, porque é em lá, em sol, em fá, em mi, em ré, em dó e em si mesma, tão plural e camaleônica quanto a própria música. E a música, ainda que seja sempre a matemática invenção ou reinvenção das sete notas, se transfigura em infinitas surpresas, quando quem sabe não espera a hora e faz anoitecer.

Nota:

"Para nós que fazemos o Portal do Jazz, é um momento de grande alegria poder incluir a excelente artista Fhátima Santos na nossa galeria. A Fhátima é uma das grandes intérpretes da Música Brasileira. "

                                                  Dihelson Mendonça - 03/2006



 
 
 

 


 

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