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Entre as palavras:


     ANDRÉ MEHMARI                                                                                                                    

                                                                   
"Um dos maiores pianistas do Brasil de todos os tempos."

Dihelson Mendonça

 

Pianista, arranjador, compositor e multiinstrumentista. André Mehmari é considerado pela crítica um dos mais importantes e promissores músicos jovens brasileiros da atualidade. Recebeu os principais prêmios nacionais e é autor de peças e arranjos para as formações orquestrais de maior renome do país. A discografia já reúne cinco cds e a participação, como pianista e arranjador, em vários outros projetos.

André Mehmari nasce em Niterói em 22 de abril de 1977 e encontra a música ainda na primeira infância, influenciado pela mãe, a quem assistia tocar piano na sala de casa. Aos cinco anos, ensaia as primeiras notas no piano da família. O interesse pela música persiste e aos oito, ingressa num conservatório de Ribeirão Preto, para onde a família havia se mudado. Nessa época, descobre o jazz e começa a estudar improvisação.

Aos 13, integra trios, quartetos e faz concertos-solo em casas noturnas  especializadas em jazz. Desta época datam as primeiras composições e arranjos para grupos musicais da cidade. A precocidade do jovem músico vira notícia na TV, jornais e revistas. Ainda adolescente, começa a ensinar música e compõe pequenas peças de caráter didático; é assim que cria um completo método de musicalização infantil, aplicado com grande sucesso.

Por duas vezes, é selecionado para participar como bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão (1993 e 1994). Depois, realiza seu primeiro concerto com composições próprias no tradicional Festival Internacional Música Nova, em Ribeirão Preto (1995). Pouco depois, retornaria para o Festival de Inverno de Campos do Jordão como solista acompanhado pela Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo (1999).

Muda-se para São Paulo em 1995, para prosseguir os estudos de piano no Departamento de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Assim inicia a fase dos prêmios e distinções.

Recebe duas vezes o Prêmio Nascente (USP-Editora Abril), o mais importante voltado para jovens talentos do país: na categoria Música Popular-Composição, com os temas “De Sol a Sol” e “Capim Seco” (1995), e na categoria Música Erudita-Composição, com “Cinco Peças para Quatro Clarinetes e Piano”, dedicada ao grupo de câmara Sujeito a Guincho (1997).

Em âmbito nacional, conquista o primeiro lugar no Prêmio VISA de MPB Instrumental (1998) e é amplamente elogiado pela crítica e público. É assim que grava seu primeiro disco, pela Gravadora Eldorado, ao lado do contrabaixista Célio Barros, também premiado. Pouco depois, os dois se juntam ao baterista Sergio Reze e lançam o CD “ Odisséia” (1998), baseado na improvisação livre do trio.



No território erudito, André Mehmari é compositor e arranjador prolífico e desde cedo realiza peças para orquestras e balés. Aos 21, cria cinco arranjos para o espetáculo “Cinema em Concerto”, da Orquestra Experimental de Repertório, realizado no Teatro Municipal de São Paulo (1998). Compõe “Quase uma Suíte”, para cordas, inspirada no livro de contos de José Saramago “Objecto Quase”. A obra é executada pela primeira vez pela Osusp -Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (1998). Outras composições importantes neste campo são: Sonata para Flauta e Piano, Uma Sonata de 3 Poemas (violino e piano), Música Noturna e Aurora (quinteto de cordas) e Dobrado (quinteto de clarinetes).

Participa como co-autor e pianista no disco-balé “Soprador de Vidro”, de Gil Jardim, tendo uma composição sua interpretada por Milton Nascimento (1998). Cria e grava a música do balé “Sete” (1999), produzido pela Companhia Paulista de Dança, inspirado em textos de Nelson Rodrigues.

A convite da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, realiza a composição “Enigmas para Contrabaixo e Sopros”, para o concerto comemorativo dos dez anos de existência do grupo. Escreve uma peça para concerto especial da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) com a Banda Mantiqueira, sob regência de John Neschling, que se torna CD (2000).

Apos vencer o concurso nacional de composição “Sinfonia para Mário Covas” com sua Sinfonia Elegíaca, o multiinstrumentista lança o álbum “Canto” (1999), onde toca cerca de vinte instrumentos musicais. No Heineken Concerts, marca presença como pianista e arranjador, ao lado de Mônica Salmaso, Proveta, Rodolfo Stroeter, Tutty Moreno e Toninho Ferragutti (2000).

Com a composição “Omaggio a Berio”, baseada na música do compositor itaiano Claudio Monteverdi (1567-1643), vence o concurso nacional de composição “Camargo Guarnieri” (2003), promovido pela Orquestra Sinfônica da USP.

Por ocasião dos 450 anos da cidade de São Paulo, compõe “Sarau pro Vadico”, uma fantasia para orquestra sinfônica e quinteto de clarinetes, a partir de temas do compositor paulistano Oswaldo Gogliano, o Vadico. A estréia se deu no Theatro Municipal da cidade, com a Orquestrta Experimental de Repertório sob regência de Jamil Maluf. No mesmo ano, grava o álbum “Lachrimæ” onde equilibra composições próprias com clássicos da nossa música em arranjos de grande originalidade. Com distribuição mundial, no inovador formato Super Audio CD, Lachrimae vem recebendo elogios da crítica, no Brasil e no exterior.

André tem se apresentado em trio, faz concertos de piano solo e se apresenta em duo com as cantoras Mônica Salmaso e Ná Ozzetti. Em duo com Ná, lançou "Piano e Voz", considerado pela crítica uma obra prima. Ainda em 2005, compôs o quinteto para piano e cordas "Angelus", encomendado pelo Quarteto de Cordas de São Paulo, com o qual se apresentou como pianista. Suas composições têm sido executadas por alguns dos mais expressivos grupos de câmara e orquestrais brasileiros.


 

Comentários

“…o pianista André Mehmari, de apenas 20 anos,é um gênio precoce,um talento extraordinário,de imaginação vibrante e generosa.Usa a formação clássica para abordar a música popular como fizeram grandes pianistas antes dele, como Luís Eça e o próprio Egberto:de forma rica e criativa, fazendo a formalidade de uma linguagem, trabalhar pelo enriquecimento da outra…”
“Com apenas 20 anos,André Mehmari tem a inventiva de Hermeto Pascoal e a sensibilidade interpretativa de Gismonti.Não são nomes citados ao acaso.Dois pilares da música instrumental brasileira, são as influências mais notáveis na música de Mehmari.(…)Mas Mehmari não toca simplesmente, a música que escolheu.Como grande intérprete, ele a recria, a submete à sua sintaxe particular, à sensibilidade que parece digressiva, mas, na verdade, materializa uma visão de música complexa, articulada, cheia de brilho. Há muitos anos não aparece na cena brasileira um pianista jovem tão promissor. (…) Com certeza André Mehmari sai do Prêmio Visa para os grandes palcos, para dar continuidade à linhagem de Egberto e Hermeto.”
 

Mauro Dias / O Estado de São Paulo


“André e Célio (Barros) ,apesar da juventude, já podem ser considerados dois dos maiores músicos da cena brasileira.”
“Improvisos de jovens gênios (…) Pode-se dizer, sem susto, que são os melhores músicos jovens de seus instrumentos da cena brasileira. (…)
Não vão repetir o disco, seria impossível, mas a performance, a magia da criação coletiva, da conversa musical intelectualmente consistente - e sempre surpreendente, em criadores tão jovens. André Mehmari, Célio Barros e Sérgio Reze representam passos à frente na nossa criação instrumental. Profundamente brasileiros (com a imensa carga de influências a que isso obriga), trazem luzes para um novo momento musical, feito de maravilhas. “


Mauro Dias, O Estado de São Paulo, a respeito do lançamento do CD de improvisos do trio no Supremo Musical em abril de 2002.

"André Mehmari tornou-se uma referência para os novos pianistas- e vem causando espanto entre os veteranos, pela inteligência harmônica, a capacidade de improviso, a qualidade da composição, o conhecimento profundo da música brasileira. (…) Já consta da lista de nossos grandes instrumentistas de qualquer tempo. "


Mauro Dias / O Estado de São Paulo

 

“O fluminense André Mehmari é, aos 21 anos, um artista singular. Dono de um lirismo novo, mostra-se capaz de revisitar o romantismo sob um prisma entregue e humorado. Como tem cabeça de compositor, ele, de fato, compõe, mesmo quando se põe a improvisar sobre idéias alheias.(…) Cria músicas novas, partindo de certos elementos dessas melodias,fazendo verdadeiras expedições sonoras.”
J.Jota de Moraes / Jornal da Tarde

“(…) as variações sobre um frevo de Cacá Malaquias por André Mehmari, roubaram a noite dos arranjadores. Até a Sagração da Primavera de Stravinsky entrou na dança, com um humor irresistível não só para a platéia como para os músicos também. (…)”
Arthur Nestrovski , a respeito do concerto da OSESP com a Banda Mantiqueira Ilustrada / Folha de São Paulo

“(…)Pouco a pouco a vegetação luxuriante de acordes alterados, arpejos pontilhistas, ataques súbitos em fortíssimo, baixos espraiados em pianíssimo, ostinatos no centro do teclado e outras invenções do pianista André Mehmari cobriu as paredes do teatro USP/Maria Antonia e renovou o oxigênio do cérebro de cento e tantas cabeças, espremidas no calor da noite de segunda-feira para assistir ao duo. (…)
André Mehmari, aos 24 anos, é o santo da casa fazendo milagres. O que mais impressiona nele não é nem a fluência dos dedos, mas da inteligência musical. Que bebe em fontes variadas, do serialismo ao jazz, de Ligeti à Lapa, passando por Bartók e Berio (…).
Acima de tudo, Mehmari tem um controle originalíssimo do tempo, que parece às vezes no limite de explodir o compasso, aumentando elasticamente o pulso,
ou, pelo contrário, concentra música em 1-2-3 como um olho de furacão. (…) Ninguém toca assim no Brasil, e pouca gente fora. “
Arthur Nestrovski , sobre o concerto do duo André Mehmari e Mônica Salmaso
em 18 de março de 2002. Ilustrada / Folha de São Paulo

 

(…) a bela surpresa ficou por conta do quarteto do baterista Tutty Moreno. O grupo, na verdade, não tem líder. Tutty, Nailor ''Proveta'' Azevedo (sax alto e clarinete), André Mehmari (piano) e Rodolfo Stroeter (baixo) são uma cooperativa musical. É difícil dizer quem é a alma de tudo - um jazz refinado, de qualidade internacional, em que a temática da música popular brasileira (Caymmi, Luizinho Eça, Joyce) é um pretexto num contexto de densa textura harmônica e muito livre arbítrio.


O quarteto apresentou um jazz de ensemble, sem concessões comerciais, equilibrando arranjos e improvisações ao sabor de ventos rítmicos imprevisíveis, chegando mesmo a rajadas decididamente free. A partir da reinvenção de temas como A lenda do Abaeté ou Forças dalma (Joyce), o grupo desenvolveu uma constante e brilhante troca de idéias, com destaque para o sax de Nailor e o piano de Mehmari.
Luiz Orlando Carneiro , a respeito do concerto no Chivas Jazz Festival no Rio de Janeiro. – Jornal do Brasil


A N D R É M E H M A R I por
Irineu Franco Perpétuo

O conceito que fazemos de um virtuose, via de regra, tem dimensão mais muscular do que intelectual. Especialista em saltos mortais sem rede de segurança, o virtuose deixa a respiração do público em suspenso ao executar façanhas que parecem desafiar as leis da física, disposto a sacrificar a vida, ou a música, pelo aplauso imediato.
Visto sob este prisma, André Mehmari não corresponde exatamente à imagem usual de um virtuose. Não que este pianista – que em 2002, aos 25 anos, já acumula prêmios como o Visa de MPB e o Nascente da USP – tenha algum tipo de dificuldade técnica ao seu instrumento; mas o virtuosismo que nele impressiona é de ordem mental.
Habitado, desde a infância, por influências de vão de Monteverdi a Berio, passando por Milton Nascimento, Duke Ellington, Ravel e Stravinski (do qual ele tem todas as partituras), seu cérebro musical, ao realizar as improvisações para as quais tem incrível facilidade, combina e reinventa esses autores, com o mais inesperado bom gosto e humor gratificante.
Ao ver a desenvoltura no teclado de um pianista requisitado, que participou de festivais como o Chivas e o Heineken, é difícil acreditar que Mehmari tenha aprendido o instrumento quase como autodidata –mesmo caminho que o habilitou a tocar viola, flauta, clarinete, contrabaixo e praticamente tudo que lhe caiu nas mãos.
Menino-prodígio, aos 15 anos de idade, em Ribeirão Preto, já tinha cerca de 200 composições. Mudou-se para São Paulo, entrou na USP e começou a escrever trilhas para publicidade, de onde tira o dinheiro que lhe permite não fazer concessões comerciais na carreira.
Com parceiros musicais de peso, como Proveta, Tutty Moreno, ou a cantora Monica Salmaso (em duo que expande as possibilidades da formação, ao subverter a tradicional subordinação da voz ao acompanhamento), Mehmari representa um novo projeto para a música brasileira, uma recriação de nossa tradição popular com o alto padrão de execução da música erudita, mas sem perder jamais a ginga, ou fazer “samba de branco”.
A chave para entendê-lo, como intérprete ou arranjador, é a polifonia. “O contraponto é o ar da música”, diz. “Sem ele, ninguém respira.” E é justamente o entrelaçamento de linhas melódicas independentes que faz o charme e a grandeza dos arranjos de Mehmari – caso, por exemplo, de suas criações para a Orquestra Experimental de Repertório, ou para o encontro da Osesp com a Banda Mantiqueira (no concerto de fim-de-ano, em 2000).
Como se não bastasse, Mehmari ainda tem uma carreira respeitável de compositor “erudito”, tendo escrito, além de balés, peças de câmara para grupos como Sujeito a Guincho e Quinteto Villa-Lobos. Com uma arrojada Sinfonia Elegíaca em quatro movimentos, com uso de fita magnética, venceu também, em 2001, o concurso nacional de composição “Sinfonia para Mário Covas”.

***


(...)Lachrimae, de André Mehmari, é uma surpr esa impressionante. Com uma mescla de canções classicas (Só Louco, Dindi, Francisco, Pra dizer adeus e Carinhoso) e composições de Mehmari, o disco cria um novo patamar de qualidade na música brasileira. Não é erudito, no sentido da dificuldade e exigência, nem apenas popular, na sua comunicabilidade imediata. Tem elementos dos dois grupos: a força da estrutura das composições e arranjos, por um lado; e a recuperação da memória musical do ouvinte acostumado com o melhor da MPB. O acompanhamento apresenta diferentes contribuições musicais, mas quase sempre com o formato de trio, com baixo, piano e bateria. A entrada do violoncello de Dimos Goudaroulis e do sopro de Luca Reale, revela a inteligência musical do compositor, que cria, com poucos elementos, um potente conjunto expressivo.
Nas composições, André Mehmari mostra como a técnica pode estar a serviço da música. Entre os temas de sua autoria, a bela Eternamente, que é ouvida três vezes no disco – a cada entrada com novas descobertas – costura uma linguagem que é única, na diversidade musical do trabalho. Há citações aqui e ali, jogo de ritmos sempre criativo e melodias que remetem à tradição romântica das obras para piano. Arranjador de sinfônicas, Mehmari faz tudo com um trio. No mínimo, o máximo.

Poucos artistas chegam aos 27 anos com tanto reconhecimento entre os colegas como André Mehmari. O multiinstumentista é hoje uma referência quando se fala em técnica – ele é um virtuose ao piano – composição e arranjo. Sua música, que vai do popular ao erudito, divide seu tempo entre o trabalho com seus dois trios, a experiência em duo com a cantora Mônica Salmaso e apresentações solo. Além disso, Mehmari é arranjador da Orquestra Jazz Sinfônica e trabalha para outros conjuntos de música de concerto.
João Paulo, O Estado de Minas, a respeito do CD Lachrimae, em março de 2004.


A técnica do pianista nunca ultrapassa a necessidade de expressão da música. Mas é por causa do virtuosismo que as idéias, muito sofisticadas, podem ser realizadas com naturalidade.(…)“Se você aprecia pianistas de jazz contemporâneo e ainda não conhece André Mehmari, não deixe de ouví-lo. Como os dois jazzistas citados, esse jovem combina influênicas da música erudita com uma exuberante capacidade de improvisação. (…) Como compositor, o brilho de Mehmari não é menos intenso…”
Carlos Calado, Valor Econômico


Pianist/composer/multi-instrumentalist André Mehmari has the rare distinction of being one of the most consistently inventive and absorbing, yet unacknowledged musicians in the forefront of Brazilian instrumental art. Convincingly at ease in nearly all possible contexts, from Mozart to Monk, Mehmari possesses an impressive classical technique that is never just paraded; there is conviction in all he plays. His formidable improvisatory imagination and uninhibited lyricism have made his presence on any recording a strong assertion of its high quality. Mehmari’s latest super audio CD, Lachrimae, presents him as both writer and pianist in a thematically unified program of moody, atmospheric waltzes and ballads that mirror his own introspective nature.
The title track, Mehmari’s “Lachrimae” (Tears), contains the extremes of his stylistic ambit, from an impossibly graceful touch to harsh drams of almost unbearable intensity;
(…) This recording is quintessential Mehmari. No one forces the pace or distorts musical contours. The entire disc is infectious in its tone and substance. Everything breaths naturally. Like a good vintage wine that has many dimensions revealed upon opening, a bouquet of soft, intimate textures is aired on Lachrimae.
 

Bruce Gilman, Brazzil Magazine, California USA

Para maiores informações, visite o website oficial do artista em:

www.andremehmari.com.br
 




 
 
 

 


 

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